O que é racismo?
Quando imaginamos um racista, pintamos na cabeça um quadro de algém da alt-right, de características arianas, caricato, vilanesco e muito distante do que acreditamos constituir um ser humano decente.
Só que essa é a ponta do iceberg. O racismo, principalmente o que está tão entranhado à construção social brasileira, vai muito além de débeis fascistóides e gestos explícitos, como uma banana atirada a um jogador negro em estádios de futebol, ou um desafeto chamado de macaco.
O carioca Jeferson Tenório prova repetidamente, durante o livro O Avesso da Pele, que o racismo se esconde sob camadas muito mais sutis, que se mascaram em atitudes cotidianas, no vocabulário, e em gestos que parecem inocentes à primeira vista, mas que carregam uma história de opressão por trás.
Com personagens que transbordam frustração, raiva, impotência e dor, Tenório ilustra as variadas formas de racismo – desde a escancarada violência policial, até a mais velada das camadas -, enquanto conta uma história envolvente de tragédias familiares: assim mesmo, no plural.
Uma narrativa em segunda pessoa, travestida de primeira pessoa. Ao avesso, como o título do livro. Uma memória, um diário, talvez uma carta de um menino endereçada aos pais. Tem sutileza mesmo nos momentos duros, que não são raros ao longo da leitura.
O Avesso da Pele é simples e direto. Na melhor definição possível que você possa encontrar no dicionário. Os personagens criados são tão reais que você pode esbarrar com eles na esquina de casa. É fácil de gostar deles e mais fácil ainda entender e perdoar os defeitos que apresentam.
Um livro que é político sem ser panfletário, sem utilizar de atalhos, sem repetir discursos. É a melhor leitura que tive em 2025 até o momento.
Nota 5/5. Venda todas as suas coisas para comprar um exemplar, se preciso.
