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  • Os sete maridos de Evelyn Hugo, por Taylor Jenkins Reed

    Os sete maridos de Evelyn Hugo, por Taylor Jenkins Reed

    Os sete maridos de Evelyn Hugo, da autora Taylor Jenkins Reed, bebe da mesma fonte de O Diabo veste Prada. Seguem os mesmos passos para fermentar o bolo que guia a narrativa. Vamos lá, para essa receita você vai precisar de:

    • Uma moça inexperiente, doce e ingênua – com muito potencial -, que irá evoluir e amadurecer ao longo da trama. Ah… e que precisa se recuperar de um término de relacionamento também;
    • Uma protagonista forte, imponente, temida, e mundialmente reconhecida, que resolve dar à moça ingênua uma grande chance na vida;
    • Doses generosas de drama;
    • Uma pitada de sarcasmo;

    Junte todos os ingredientes, bata bem, leve ao forno. E tá pronto.

    Miranda Priestly (O Diabo Veste Prada) e Evelyn Hugo reservam certas semelhanças

    Por mais que a construção não seja ultra original, o livro me agradou enquanto passatempo. A leitura é fluida e as páginas passam rápido.

    Não é só glamour. Aborda temas importantes e duros, como violência contra a mulher, machismo, homofobia e eutanásia. Mesmo assim, o faz sem perder a leveza na retórica – e isso é difícil de se alcançar.

    A sinopse

    Monique Grant, de 35 anos, é jornalista júnor na famosa revista Vivant, mas não tem uma trajetória profissional muito digna de nota, e sente-se invisibilizada. Nas primeiras páginas do livro, Monique é chamada pela editora da Vivant, Frankie, para uma conversa séria a sós.

    A lendária atriz Evelyn Hugo, quase octogenária, fará um leilão beneficiente em homenagem à filha Connor, recém falecida, vítima de câncer de mama. A assessoria de Evelyn entrou em contato com a revista para uma entrevista exclusiva, mas sob uma condição: que a pauta seja conduzida por Monique.

    Não faz sentido. Monique é uma zé ninguém. Evelyn Hugo é uma diva que moldou a história de Hollywood. Aparentemente não há conexão nenhuma entre elas.

    Então, sob olhares suspeitos da chefia, a repórter é escalada para a exclusiva. Ao chegar na suntuosa mansão de Hugo, Monique descobre que ganhou muito mais que uma matéria de capa para a Vivant. Ela foi escolhida a dedo pela estrela das telonas para ser a escritora de uma biografia autorizada, que valerá milhões em direitos.

    Um evento que mudará para sempre a carreira de Monique.

    Evelyn Hugo, a femme fatale de Hollywood.

    Os sete maridos

    O trampolim. O agressor. O astro de rock. O melhor amigo. O arrogante. E por aí vai…

    Evelyn Hugo casou-se tantas vezes, mas quase nenhuma delas por amor. O livro se organiza de forma que cada capítulo é um marido, para contar a história de ascenção de uma latina, descendente de cubanos, que pinta o cabelo e disfarça a origem para brilhar nos cinemas e se tornar uma das principais femme fatales de Hollywood.

    Eles que foram maridos dela. Ela não foi mulher de nenhum deles – já que o amor da vida de Hugo não estava entre os sete – mas isso já é spoiler.

    A platônica relação com Harry Cameron e o começo da trajetória com Celia St. James são os pontos altos da narrativa.

    O final

    Eu costumo ser alheio a plot twists. Normalmente, já conjecturei tantas possibilidades na minha cabeça que acabo acertando o desenrolar do enredo, por tentativa e erro. Às vezes é óbvio o que vai acontecer, outras vezes nem tanto. Mas em Os sete maridos de Evelyn Hugo, o final me pegou de surpresa. Uma raridade.

    Nenhuma das possibilidades que aviltei entre Evelyn e a razão para exigir que Monique fosse a escritora da biografia se provaram corretas.

    No entanto, existe a intenção de criar uma relação de ódio entre a escritora e o objeto de escrita nas últimas páginas, que não me pareceu forte o suficiente.

    Conclusão

    Acaba que Os sete maridos de Evelyn Hugo é um tanto paradoxal, pois consegue ser surpreendente e previsível ao mesmo tempo no desfecho. Segue uma fórmula pronta, apesar de trazer elementos necessários e interessantes. A narrativa perdoa agressor, o que não é algo que eu curta, mas entendo as razões dentro da trama.

    Eu sinto que foi uma leitura que me prendeu, mas não me marcou. 4/5.

    Ah, vai virar filme…