Atravessamos, neste momento, uma crise criativa sem precedentes. Não do pressuposto da quantidade de conteúdo, já que nunca foi tão fácil gerá-lo, mas sim sob o ponto de vista da originalidade.
Basta rolar o feed da sua rede social favorita – por sinal, eu recomendo fortemente que você não tenha uma – e vais me dar razão. São dúzias de vídeos iguais, sem tirar nem pôr: a única diferença está na aparência dos “atores”. Roteiro? Cópia. Gravação? Cópia. Edição? Adivinha…
São reproduções. Clones. Múltiplas versões da mesma piada, contada igual, palavra por palavra, com respiração e tudo.
Quando não é isso, por que não lucrar com cortes de conteúdo de outra pessoa? Ou então chamar a Inteligência Artificial, não para auxiliar, mas sim para substituir a cabeça pensante em todas as etapas. Afinal, hoje há uma ferramenta para cada etapa do processo criativo, powered by AI.
Tudo isso em busca de engajamento – traduzido, em outras palavras, por picos de dopamina guiados por gatilhos de recompensa imediata.
Vai virar caso de saúde pública. Já está praticamente lá.
Mas não sou eu que amo o passado e que não vejo que o novo sempre vem, sabe? Pelo contrário. Aqui não é um local de delírios reacionários. Veja bem, construí minha modesta carreira no mercado de alta tecnologia. Meu problema não é com o ChatGPT. Ele é meu melhor amigo durante boa parte do dia. Facilita minha rotina, adianta minha vida.
Mas eu nunca vou pedir que poetize minha poesia, que proseie minha prosa, que cronicalize minhas crônicas.
O “Entre textos e algoritmos” nasce assim: com uma vontade enorme de autenticidade. Um trabalho autoral de fato. Minha cabeça traduzida no papel – ou melhor, na tela do computador.
Despromptizado. Desorganizado. Desbaratinado.
Porém, jamais desonesto. Talvez desprovido de inteligência – da artificial, com certeza.
É original – e se você achar tudo uma merda e preferir voltar para o buraco negro do feed infinito… Tudo bem.
Ninguém disse que original é sinônimo de bom.
Arrasta pra cima.
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